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Caridade e amor ao próximo

O verdadeiro sentido da palavra caridade, tal como ensinou Jesus, traduz-se na benevolência para com todos, na indulgência para com as imperfeições alheias e no perdão das ofensas recebidas; tem-se então que caridade é a expressão maior do amor pelo semelhante.


O amor e a caridade tornam-se uma extensão da Lei de Justiça, pois este amor ao próximo significa fazer-lhe todo o bem que cada um gostaria que lhe fosse feito; nenhuma criatura pode exigir do seu semelhante que seja tolerante, indulgente e bondoso, se ele mesmo não proceder da mesma forma para com os outros. Para acentuar ainda mais a necessidade deste amor, Jesus ainda disse: "Amai-vos uns aos outros, como eu vos amei". Este preceito manifesta-se tanto na prática da caridade material quanto na caridade moral. Muito embora o dever de todos seja o exercício constante de ambas, a caridade moral é mais difícil e, portanto, mais meritória que a caridade simplesmente material, porque exige de quem a pratica o verdadeiro sentimento de fraternidade, espírito de renúncia e tolerância, princípios contrários ao egoísmo e ao orgulho.

Deste modo, a caridade não se limita apenas aos aspectos materiais, mas abrange em sua essência a vida de relação em todos os pormenores de uma estrutura social, fundamentando-se a partir de algumas atitudes:
Indulgência, que é a tolerância, a compreensão para com os defeitos do próximo, sem humilhar ou constranger também aquele que está em posição inferior, pois qualquer que seja nosso grau de evolução, estamos sempre colocados entre um superior que nos guia e nos aperfeiçoa, e um inferior, perante o qual temos deveres a cumprir. Não cabe a ninguém atirar a primeira pedra, pois todos são devedores, todos têm defeitos a corrigir, tentações a vencer, hábitos a modificar;

Benevolência é a boa vontade em ajudar desinteressadamente os que precisam de ajuda, com verdadeiro afeto e respeito pelos seus problemas; é saber falar e ouvir, dando ânimo àquele que desfalece, ressaltando suas qualidades ao invés de apontar seus erros;

Perdão no mais amplo sentido de esquecimento da falta recebida; perdoar cada ofensa quantas vezes se fizer necessário. Perdoar significa não somente esquecer o mal recebido, mas também não desejar nenhum mal a quem o pratica, inclusive aos "inimigos", dos quais não se deve guardar rancor ou desejo de vingança, mas procurar ajudar para que possam reparar os erros cometidos.

As palavras de Jesus "amai os vossos inimigos" induzem a uma reflexão: sendo o amor pelos inimigos contrário à própria natureza da condição humana, ainda pouco desenvolvida moralmente, é evidente que não se trata do mesmo amor que se tem pelos entes queridos. Amar os inimigos, da maneira como ensinou Jesus, é perdoar-lhes e pagar-lhes o mal com o bem; esta é a verdadeira caridade que caracteriza o homem do bem.

O homem reduzido a pedir esmolas se degrada moral e fisicamente: se embrutece (LE, 888); mas toda sociedade que estabelece suas leis sociais tendo como referência a Lei de Justiça. Amor e Caridade , saberá por certo prover as necessidades dos mais fracos, sem que estes se sintam humilhados pela sua inferioridade. A esmola em si não é um ato passível de reprovação, mas sim o modo como ela é praticada. Se o socorro prestado o for por mera ostentação de grandeza perante a sociedade, não haverá mérito algum, pois Jesus recomendou: "Que a sua mão esquerda ignore o que faz a sua mão direita"; por estas palavras ele ensinou a não macular o ato da caridade com o orgulho e a vaidade.

Portanto, a caridade, tal qual ensinou Jesus, consiste em amar uns aos outros, eis toda a lei, divina lei pela qual Deus governa os mundos. O amor é a lei de atração para os seres vivos e organizados, e a atração é a lei de amor para a matéria inorgânica (LE, 888a). O amor é, assim, a essência divina que habita em todas as criaturas, do átomo ao arcanjo, essência esta que em todos quer revelar-se, na unidade de sua natureza.

 

 

Bibliografia: ESE, Capítulo XV, itens 6 a 10

 

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